quarta-feira, 26 de abril de 2017

Os meus professores

"Os Professores precisam de uma Escola-Casa, precisam de fazer da sala de aula a sua sala de estar – e, na verdade, a sua cozinha, o seu jardim, o seu atelier inspiração.

Havia de existir, na Escola, quem fosse o Cuidador do Professor que lhe levasse, na primeira hora da manhã, flores frescas para a sala [e um café extra nos dias cinzentos ].

Os Professores não merecem aulas de noventa minutos, nem sequer merecem aulas. O dia a dia de um professor havia de ser passado onde e como ele bem quisesse, junto dos seus alunos-convidados, na sua casa-escola ou fora dela, nesse espaço maravilhoso que é a escola-jardim, a escola-rua, a escola-mundo.

Os Professores precisam de ter, uma vez por semana, Conselhos Amorósicos que lhes falem de compreensão e esperança e happy hours todos os dias; precisam de sentir-se aprendizes junto das crianças e de poder mudar de profissão quando deixarem de estar apaixonados pela infância e pelo que fazem.

Os Professores precisam de poder errar, de não ter metas rígidas a cumprir, de fazer da escola uma brincadeira de crianças, no que de mais sério, proveitoso e transformador esta encerra.

Mais do que ensinar, os Professores precisam de inspirar, precisam de se sentir livres e poderosos, tranquilos e entusiasmados, cada manhã, para que, ao fim do dia, as nossas crianças também se sintam assim.

Precisam de recuperar as forças e o desejo para abrir as janelas de par em par [ e tantas vezes quebrar as grades de preconceitos e crenças ] e respirar o ar fresco, sem medo do arrepio que vem com a mudança.

Os Professores precisam de Centros de Recursos Positivos repletos de ferramentas para a mochila das horas difíceis, precisam de um Plano de Apoio ao Estudo ao longo da vida sobre o que lhes põe os olhos a brilhar.

Os Professores precisam de querer levar trabalho para casa, não ser obrigados a fazê-lo.

Os Professores precisam de abrandar o ritmo, largar as rédeas e ser levados ao colo, sim. Precisam de ser ouvidos, acarinhados e salvos da avalanche que a infância [ ou a juventude ] multiplicada por vinte consegue ser.

Precisam de ter onde [ e com quem ] dividir angústias e somar contactos, de ter mais poesia nos seus dias e relançar os dados da equação da educação – torná-la integral, diversificada e significativa para as crianças destes tempos.

Os Professores precisam de avaliar sorrisos e ser avaliados pelo número de vidas que tocam, precisam de um Ginásio para a mente onde haja espaço para treinar a flexibilidade do pensamento, onde possam relaxar os músculos da calma e onde redescubram o ritmo acelerado de um coração que está vivo.

Os Professores precisam de receber em dobro tudo que dão para que nunca se sintam fonte sem água, essa que acalma a sede [ de tudo ] das nossas crianças. Precisam de uma Cantina onde se sirvam bolinhos da boa sorte todos os dias, onde haja sempre disponível chá que aqueça as mãos frias dos Invernos do ano lectivo.

Precisam de ter direções solares e Ministérios movidos a eólicas para que as energias sejam sempre renováveis, livres de emoções tóxicas e sentimentos poluentes- ou então aprenderem a fazer a sua própria central ecológica.

Os Professores precisam de um Livro de Ponto(s) – onde registem os pontos de interrogação em cada desafio lançado, e os pontos de exclamação em cada fim de dia cansado. E onde coloquem os pontos finais no desânimo e práticas obsoletas, onde possam fazer as pausas necessárias entre parágrafos longos demais, e escrever as orações que lhes devolvam a fé na missão que escolheram para a sua vida.

Precisam de um Livro em Branco que se encha, cada Setembro, ( ou em cada Primavera!) de cores vibrantes que são a expressão única de cada criança e de cada viagem que com elas fazem; um livro de cujas páginas saiam só notas de música, uma sinfonia tocada a múltiplas mãos e inteligências, mais ou menos (des)afinada, mas cheia de emoção, aprendizagens e sempre, sempre original".

(Mariana Bacelar)


 http://academiadeparentalidade.com/2017/04/20/escola-professor-precisa/

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Sobre o tempo

"Nós somos duração (ou, pelo menos, «duro desejo de durar», como Paul Éluard defendia). Quer dizer, trazemos em nós a memória e a presença de tempos muito diversos e isso, por muito que nos custe, é um dom. Conhecer-se é tomar consciência desses tempos que coexistem em nós, mesmo no seu contraste. Gostaríamos que a vida fosse mais linear e harmoniosa, não tivesse a marca daquele solavanco ou daquela ferida, não tivesse atravessado aquele estremecimento. É verdade, para bem e para mal, aquilo que Camus escreveu: «O homem é o único animal que se recusa a ser o que é.» Mas em nós coexistirão sempre o breu e a lâmpada, o tesouro e o barro, e a atitude não é mudar aquilo que não podemos mudar, mas perceber que a ambivalência, em certo grau, também é uma respiração que nos pertence. Bem desejaríamos poder travar ou modificar o tempo. Porém, o importante não é ser perfeito: o fundamental é ser inteiro. Trata-se, assim, de integrar, na composição que fazemos da existência, a diversidade, a fragmentação e o contraste. E os pequenos triunfos dão-nos fortaleza para olhar as grandes humilhações, e as dificuldades vividas oferecem-nos sabedoria para olhar de outra maneira para tudo o resto. As experiências de liberdade ampliam a capacidade e a esperança para suportar os momentos em que a perdemos; e as experiências em que nos sentimos aprisionados consolidam a resistência, a força e até o sentido de humor para vivermos os tempos de liberdade. Há, portanto, que afastar a tentação do cinismo e aceitar que somos feitos efetivamente destes materiais tão diferentes e que tudo isso é matéria de vida e de dádiva".

(José Tolentino Mendonça)

daqui:

 http://www.estradaclara.pt/index.php/2016/09/12/725/

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Perecer, germinar e florir

Se for para se enterrar que seja para virar semente e renascer. Então, na primavera se tornar flor a colorir o mundo e, no outono, se transmutar em doce fruto a alimentar a humanidade”.
O yoskhaz

Lindo pensamento, que nos faz refletir sobre o verdadeiro sentido da Páscoa. Morrer, renascer, transformar e aprender. Crescer a cada morte e a cada renascimento. Sem esta transformacao profunda e súbita que é simbolicamente representada na idéia da morte, nossos avancos e conquistas são lentos.

As memorias dos erros do passado nos aprisionam e sempre reclamam seu lugar trazendo uma certa inseguranca. Somente a idéia radical de um novo começo rompendo com habitos  e sentimentos enraigados, pode nos dar de fato uma nova chance.

Pode ser uma experiencia amarga, mas a alegria e o frescor da juventude do novo ser que nasce será um impulso revigorante para a alma.

Podemos esperar que as diversas mortes venham a nos surpreender ou podemos ir ao encontro dela e nos reinventar totalmente fazendo surgir um ser totalmente novo e revigorado, mesmo que para isso tenhamos que deixar alguma coisa de lado por um tempo.

Feliz Feliz Páscoa
João Sergio

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Quem Eu Sou?

Fiz este Post para meus alunos pedindo que identificassem os números. Achei legal compartilhar com vocês.

Calma!  Se você já tem a resposta é porque não entendeu direito a pergunta.  Afinal esta é a pergunta mais difícil de responder do Universo,  e talvez nem haja uma resposta.
Perguntei a um Operário e ele me disse que era um eficiente trabalhador, honesto e cumpridor de suas obrigações, que no que ele faz eu podia confiar. Ele sabe colocar pedra sobre pedra e construir grandes obras. Mas que não duvidasse da capacidade e honestidade dele, porque sua reação seria severa.
Perguntei a uma Jovem e ela me disse que era bela e sensível, que podia sentir o frescor e o perfume das flores, se encantar com o barulho dos pássaros e dos riachos. Que se apaixona facilmente e se deixa encantar pela vida, mas que espera sempre que as pessoas reconheçam a sensibilidade que coloca na vida. Ela sente cada coisa e percebe tudo através deste sentimento, mas se aborrece facilmente quando não é correspondida.
Perguntei a um Cientista e ele me disse que era sábio, que conhecia todas as leis da natureza e que era capaz de decifrar todos os enigmas. Sua maior paixão são os mistérios e sua mente se perde nas reflexões a tal ponto que ele parece se desligar de tudo, mas sempre encontra a formula certa e a solução para todos os problemas. Senti uma certa vaidade nele mas não quis contrariá-lo.
Então perguntei a um Monge e fiquei muito Surpreso com a simplicidade de sua Resposta. "Eu Sou"
E você, já teve a coragem de fazer esta pergunta  ?

segunda-feira, 27 de março de 2017

ESTADO VIBRACIONAL - Pesquisas, Técnicas e Aplicações

Queridos amigos,
descobri recentemente na biblioteca da escola de medicinas orientais que frequento, este livro que explica como funciona nossa energia pessoal e evidência os fluxos bioenergéticos com o meio envolvente. Refere práticas para harmonizar a energia interior e práticas centrifugas e centrípetas, ora para harmonizar o exterior com a nossa energia, ora para absorver energias de algum local saudável.

Além disso explica muito bem a necessidade de tomar consciência de acordo com a sensibilidade, o veiculo de manifestação, a interpretação, a leitura energética... Porque é importante ter percepção aguçada e clara das próprias energias e das energias que atuam dentro do individuo mas que não lhe pertencem directamente. Qual a influência que os outros têm em nós? Principalmente aqueles que nos são mais próximos pelos laços do amor.

Há algum tempo que ando para escrever aqui sobre D1 e E1 porque creio que é possível expandir o âmbito deste tipo de desafios e experiências para além do simples facto duma pessoa verbalmente intrometer-se na nossa vida (D1). Consegui perceber que durante anos fui uma personalidade bastante influenciável e lutei inconscientemente contra interferências energéticas imperceptíveis naquela época. Atualmente no 4ºciclo de E1, mais consciente dessas invasões emocionais e mentais, a que todos estamos sujeitos, quer de outras pessoas, outros seres, locais, quer até de vidas passadas, vou aos poucos ganhando autodominio, aprendendo a gerir os desequilíbrios.

Recomendo leitura sem sobra de dúvida.
Beijo no vosso coração
Rute

quinta-feira, 16 de março de 2017

A Prova de Fogo

Quando estamos passando serias dificuldades, costumamos dizer que estamos vivendo uma provação, ou uma prova de fogo. Aprendemos  que as adversidades são como o esmeril que irão provar se nossa alma é de ferro ou de barro.

Vejo agora de forma diferente. 

As adversidades podem não ser a prova, mas sim as lições, que estão nos ensinando a vivenciar a escassez e a dificuldade, e a obter o máximo diante do mínimo, a exercitar nossa inteligencia e nossa sensibilidade diante da vida e das pessoas.

A prova mesmo não acontece na escassez, porque para ser uma prova é preciso haver opções de escolha, e na escassez não temos outra escolha. 

A prova seria a fartura e a abundancia, quando tudo vai bem e nos sentimos seguros e confiantes.

É fácil ser econômico quando não se tem recursos, ter compaixão com as pessoas quando sofremos as mesmas injustiças que elas, sermos eficientes e rápidos quando não temos muito tempo, sermos  cuidadosos quando sabemos que estamos em terreno minado...

Difícil mesmo é quando tudo é fartura e abundancia, quando temos poder, virilidade, juventude, beleza e energia sobrando.

Será que lembraremos dos que não tem recursos quando estivermos sentados a uma mesa farta?  Será que lembraremos dos injustiçados quando tivermos o poder para mudar as coisas e fazer a nossa vontade se impor sobre os demais? Como será que agiremos diante do poder capaz de oprimir os inimigos e eliminar as ameaças?

Esta, meus amigos,  é a verdadeira prova de fogo para qualquer ser humano!

Ser um Papa por exemplo, é a maior prova de humildade. Ser um grande empresário, um governador, um presidente, ou mesmo um pai, um chefe ou qualquer posição em que as circunstancias nos confira o poder de mudar a direção das coisas e impor nossa vontade sobre os outros.

São gigantescas provas de fogo que irão testar de fato se nossa alma é capaz de sentir a vida ao seu redor, e compartilhar suas energias e sabedoria,  ou se deixar cair na ilusão do poder individualista e totalitário.


João Sérgio

domingo, 12 de março de 2017

Estimulo e Motivacao

Muitos acreditam que o conhecimento é adquirido quando leem uma lição ou um Livro ou quando ouvem uma orientação.

Mero engano. Isso é só um estimulo.

É o alimento bruto que precisa ser ainda digerido.

Existe uma diferença entre estimulo e motivação. Estimulo vêm de fora e nos toca, e pode até despertar uma motivação. Mas motivação (motivo para a ação) é algo que vem de dentro como um motor que nos move em direção a um objetivo.

O Mestre estimula e espera que o aprendiz se motive.

O conhecimento é algo que extraímos de dentro de nós quando o colocamos em pratica e buscamos respostas para nossas dúvidas e isso requer a motivação que vem da sede de conhecimento.

Funciona parecido com o que ocorre com um animal ruminante que precisa digerir o alimento já absorvido.


A medida que experimentamos e observamos, vamos quebrando as resistências impostas pelas nossas crenças limitantes permitindo que nossa Alma assimile e incorpore a essência do conhecimento e o transforme em sabedoria.